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  Professor Teodoro


Minhas raízes estão fincadas em Reriutaba, onde meus ancestrais fizeram história. Sou neto do cel. José Theodoro Soares, fundador da cidade, em 25 de setembro de 1927, à época chamada de Santa Cruz do Norte. Foi seu 1º prefeito (1923 / 1927) e organizou com a ajuda de seu genro e meu pai, Agrípio Teodoro Soares, o grupo que dominou o cenário político do município durante vinte anos.

Roma e Paris - Momentos históricos

Beneficiado pela iniciativa de dom José, que enviava os candidatos ao sacerdócio para estudar em Roma, chego à Cidade Eterna em 1962. Estudávamos na Universidade Gregoriana e morávamos no Colégio Pio Brasileiro até 1966, término da formação teológica. Era o período do aggiornamento da Igreja, do Concílio Vaticano II, com a presença de cardeais, bispos de todo o mundo e com a participação dos maiores teólogos da época, entre eles Joseph Ratzinger, atual papa Bento XVI, Karl Rahner, Yves Congar, Hans Küng e outros expoentes. Em 1966, fui fazer o curso de Ciências Políticas, no Instituto de Estudos Políticos, da Universidade de Paris. Também me formei em Ciências Sociais e fiz mestrado em Administração Pública, no Instituto Internacional de Administração Pública.


Movimento estudantil

Testemunhei um momento de grande transformação cultural na França – o movimento estudantil de maio de 1968 – , cujas idéias se espalharam pelo mundo, uma verdadeira revolução dos costumes.
Lembro-me bem do dia 3 de maio daquele ano. Estávamos na universidade, quando o DCE anuncia a paralisação. Deflagrada pelos estudantes, e avolumada com a adesão de diversas categorias profissionais, iniciou-se uma greve geral, com mais de 30 dias de duração. Slogans, palavras de ordem, surgiam a cada momento e em todo lugar: “É proibido proibir”, “Abaixo a sociedade de consumo, (Estados Unidos)”, “Abaixo a sociedade de produção estatizada, (União Soviética)”. O Partido Comunista Francês (PCF) foi execrado em praça pública. Deixei Paris dois anos depois.

Retorno ao Brasil

Passados oito anos de estudos na Itália e na França, retornei ao Ceará e ingressei na Universidade Federal do Ceará, fazendo parte da equipe que implantou o curso de Ciências Sociais, em 1970. Simultaneamente, lecionava Sociologia na Escola de Serviço Social e na Faculdade de Filosofia, hoje pertencente à Universidade Estadual do Ceará. No ano seguinte, em 1971, participei, juntamente com um grupo de professores de Brasília, da implantação da Universidade Federal do Piauí. O grupo era liderado pelo professor Hélcio Ulhoa Saraiva, nomeado reitor, de quem fui chefe de gabinete.


Brasilia

No mesmo ano, troquei Teresina por Brasília a fim de participar do recém–criado Projeto Rondon. Depois de quatro anos, fui trabalhar na Secretaria de Planejamento da Presidência da República com o ministro João Paulo dos Reis Veloso, na elaboração de projetos especiais, passando em seguida para a Secretaria de Modernização Administrativa ligada à Secretaria de Planejamento da Presidência da República, onde permaneci até 1979. Nesse período, nas minhas visitas ao Ceará, conheci Norma. Maria Norma Maia que apôs Soares em seu nome a partir de janeiro de 1978, quando nos casamos em Fortaleza. No governo do presidente João Figueiredo, fui convidado para colaborar no Ministério da Educação, onde permaneci por oito anos, exercendo as funções de subchefe de gabinete do ministro Eduardo Portela e de secretário geral adjunto dos ministros Rubens Ludwig e Esther de Figueiredo Ferraz .

Em 1985, volto a Paris, desta vez acompanhado de Norma, para estudos de atualização. Ficamos seis meses. Minha pesquisa foi publicada na Revista do Instituto Internacional de Administração Pública de Paris.

Volta ao Ceará

Em 1986, volto para ficar no Ceará. Fui convidado por Antônio Rocha Magalhães para fazer parte da equipe de transição do primeiro governo de Tasso Jereissati. No ano seguinte, no dia de Santo Tomás de Aquino (7 de março), patrono das universidades católicas, assumo a reitoria da Universidade Regional do Cariri (Urca) a convite de seu criador, o reitor dos reitores, Martins Filho. A missão era implantar o projeto preparado por ele. Foram os três anos em que me aproximei das manifestações religiosas em torno de Padre Cícero, santo que o povo quer ver nos altares. Assumo a reitoria da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) em abril de 1990. Foi uma decisão repentina. Aconteceu numa reunião de reitores das universidades estaduais com José Rosa Abreu, então titular da Secretaria da Educação, à qual as universidades eram vinculadas. O cônego Sadoc de Araújo, reitor da UVA, me convidou para sucedê-lo. Surpreso, pedi um tempo para pensar. Ainda na mesma reunião, aceitei o convite.

Minha primeira missão era estruturar a universidade para conseguir o reconhecimento pelo MEC. Fomos cumprindo uma a uma todas as metas que estabelecemos nos planejamentos estratégicos. Numa política de parceria com a Prefeitura e a Diocese, a UVA se expandiu, multiplicando o número de cursos e de alunos. Passou a funcionar nos três turnos, e a contar com cursos importantes como Direito, Engenharia e Medicina. O número de professores com titulação acadêmica teve um crescimento muito grande. Dezesseis anos depois, em março de 2006, transmito o cargo de reitor para o professor Antônio Colaço Martins. Encontra uma universidade bem equipada com laboratórios e bibliotecas e vasto patrimônio imaterial: a conquista de formar cerca de 40 mil professores leigos. Essa riqueza intangível exprime sua missão neste período: a inclusão pela educação. Em 2006, cumprindo uma vocação antiga e com o estímulo de amigos e correligionários, candidato-me a deputado estadual pelo PSDB. A campanha foi o seguimento de minhas atividades, resumido na frase “Porque tudo é uma questão de educação”. Com 40.791 votos, conquistei uma cadeira na Assembléia Legislativa, onde continuo com o propósito defendido na campanha: a militância sempre presente pelas causas da Educação.




 
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